O Novo E.U.A de Biden

Após uma eleição muito conturbada, contando-se até com um candidato pedindo que se parasse a contagem e uma invasão ao Capitólio, similar à de 2012 na apuração das Escolas de Samba de São Paulo, que tentou dar o último suspiro ao governo Trump, além de trazer a superfície figuras bizarras que se escondem nos fóruns nas profundezas da internet. Joseph Robinette “Joe” Biden Jr. se tornou o 46° presidente dos E.U.A. Agora com tudo um pouco melhor estabilizado, o democrata tem uma tarefa difícil pela frente, tanto no campo da Economia que sofreu com a crise do Covid, quanto no campo social, já que não diferente do mundo inteiro os estadunidenses sofreram muito com os Lockdowns e as mortes, sendo o primeiro nesse quesito. Além disso a pandemia escancarou mais do que nunca o grande problema que o país tem em seu sistema de saúde. Somado a todas essas dificuldades, ainda há as sequelas do período eleitoral, uma vez que algumas pessoas ainda queiram acreditar que a eleição foi roubada. Com isso os E.U.A não se encontram tão dividos desde a guerra de secessão.

Entretanto, Biden terá do seu lado a maioria no congresso e no senado, algo que não acontecia desde o governo Obama em 2009-2011. Isso tenderá a facilitar um pouco seus planos, que por sinal são ousados, entretanto bem mais úteis e realistas do que o de seu antecessor, por enquanto não há planos para se construir nenhum muro. O grande foco está primeiro na construção das bases para a retomada do crescimento econômico. A chave disso é a vacina, que foi talvez o ponto específico que derrubou Trump. Embora o mundo inteiro esteja vacinando a um ritmo mais lento do que se esperava, Joe garantiu que essa é sua prioridade no começo do governo, uma vez que já é considerado consenso que sem vacina não há recuperação da atividade econômica.

Porém o Democrata acredita que a vacina seja apenas o começo. Um dos pontos mais defendidos recentemente, não só por ele, é o de um pacote de estímulos para a economia. Algo que já ocorreu com certa proporção no ano passado e que vem acontecendo no mundo inteiro, políticas anticíclicas. Biden anunciou no começo do ano um pacote com o valor de US$ 1,9 tri, abordando inúmeros pontos. Entretanto já é esperado que esse valor diminua, pois será necessário negociar com os republicanos mesmo tendo maioria nas duas casas. E eles já deixaram claro que o valor precisa diminuir. Agora caberá ao presidente mostrar que consegue negociar melhor que seu antecessor. Detalhando mais um pouco o pacote:

· US$ 415 bi para o combate à pandemia e vacinas;

· US$ 1 tri em auxílio às famílias (querendo aumentar o valor de US$ 600 para US$ 2 mil);

· US$ 440 bi para pequenas empresas e comunidades;

· US$ 350 bi em ajudas para governos estaduais e municipais

· US$ 170 bi para escolas

· US$ 50 bi para testes de Covid-19

· US$ 20 bi para um programa de vacinação com apoio dos governos estaduais


Assim, pode-se notar que os planos são volumosos e deverão ter seus valores corrigidos após negociações no congresso. Entretanto, com o apoio de Wall Street, com a Janet Yellen falando ao senado que “o mais inteligente a fazer é agir de forma ambiciosa” e com a taxa de juros estadunidense em mínimas históricas, é bem possível que o plano de Biden fique na casa do trilhão.

De mãos dadas a esses estímulos vem também o foco na retomada da geração de empregos e na indústria do país. Antes da pandemia, a economia se encontrava quase em pleno emprego, mostrando ótimos resultados. Porém hoje a situação é bem diferente. A taxa de desemprego chegou a 14,7% no ápice da crise sanitária e em janeiro desse ano diminuiu para 6,7%. Para Biden, uma das respostas está na atividade industrial. Esse é um tema que chama atenção, já que ele tem uma aproximação similar à de seu antecessor. A ideia do “Buy American”, algo que era a base de todas as políticas populistas de Trump, porém Joe sabe que não adianta ficar no Twitter reclamando de outros países. Biden talvez consiga de uma maneira mais realista reerguer o setor industrial, talvez não todo o cinturão da ferrugem, mas pelo menos alguns setores, já que sua política econômica é menos protecionista e mais desenvolvimentista. Todo esse planejamento faz parte do plano “Build Back Better”. Ainda pouco falado, já que é uma espécie de segunda fase da retomada econômica.

Com tantos tópicos já mencionados, vale ressaltar mais dois. O aumento do salário mínimo nacional, de US$ 7,25 para US$ 15 (praticamente dobrando ele). Essa é uma bandeira democrata forte, que como os estímulos deverá passar por algumas mudanças, mas reflete bem o interesse de Biden em ajudar a população mais pobre que vem durante os últimos anos vendo sua renda estagnar ou diminuir. Diferente do topo da pirâmide que faz parte do outro tópico. É bem possível que haja alguma mudança em relação aos impostos nos E.U.A. Durante o governo Trump, ele aprovou uma histórica redução de impostos para empresas e grandes fortunas. Porém, os Democratas tem entre suas bandeiras uma visão diferente em relação aos impostos, em especial sobre os mais ricos. E levando em consideração os planos fiscais do presidente, é de se acreditar que de fato aconteça um aumento nos impostos para o topo da pirâmide.

No final de 2020 e começo de 2021, os E.U.A tiveram sérios momentos em que pareciam mais uma república das bananas do que o país sério que são. Após Trump sair da Casa Branca e ir direto para Flórida (Não comparecendo nem mesmo na Posse de Biden, algo quase inédito para um Presidente) se iniciou um novo processo no país e consequentemente no partido republicano, que apresentará mudanças com o Trumpismo ainda forte. Joe tentará mudar diversas posturas e atos da antiga gestão e colocar os E.U.A de volta no palco principal para assuntos globais, posição que Trump não fez questão de ter. Esse humilde texto teve o objetivo de focar mais na parte econômica e política. Outras duas áreas de extrema importância para o mundo e para o Brasil: Política Internacional e Meio ambiente, precisarão de muito mais espaço em outro texto. Já que a Europa e alguns outros países como a China agora começaram a fortalecer a ideia de uma Nova economia global, mais verde e responsável. O Brasil ainda não entrou nesse grupo e agora com o fim do governo Trump tenderá a sofrer mais pressões para se adequar a ele. E em relação à política externa é bem provável que os E.U.A voltem a ter a força que tinham antes ou ao menos tentem, não só nas organizações mundiais, mas em temas militares e políticos, já que pela escolha de interferir menos de Trump, nesses últimos quatro anos a China, Rússia e Turquia entre outros, aproveitaram o vácuo deixado para aumentarem ainda mais suas influências globais.

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