Países Bálticos vs. os ABC

Em tempos de tensões entre países e comparativos entre diferentes tipos de nações, proponho uma boa leitura para intensificar ainda mais essas tensões. Neste artigo, comentarei um pouco sobre a história da trinca de países do Báltico (Estônia, Lituânia e Letônia), fazendo um comparativo econômico com os países da América do Sul (Argentina, Brasil e Chile). O texto está dividido em 3 partes: a primeira traz um breve histórico dos envolvidos, a segunda, os comparativos (taxa de crescimento do PIB e PIB per capita, taxas de desemprego e outros) e a última tem a intenção de analisar qual dos lados se saiu melhor nessa disputa.

Primeiramente, começarei com a trinca báltica. Curiosamente, os bálticos passaram por 3 diferentes regimes econômico-sociais. Durante o primeiro, englobavam o Império Russo; em seguida, com um acordo próximo da Segunda Guerra Mundial, passaram a ter um governo nazista e, por último, antes de se tornarem países capitalistas, o comunismo, por meio do domínio soviético, passou a ser adotado nas três nações. Dessa forma, é possível perceber que os três países passaram por sérias dificuldades devido aos regimes ditatoriais, pobreza extrema e guerras enfrentadas. Porém, essa história mudou com a queda do último regime ditatorial. A partir de então, os países do báltico tiveram um choque de liberdade econômica ao adentrarem no sistema capitalista dos anos 90. Assim, eles entraram como países pobres e em um caos interno; contudo, com uma boa gestão de liberdade econômica, eles passaram a estar na ponta da Europa, sobrevivendo melhor do que países que já estavam no bloco europeu, como a Itália, a Espanha e a Grécia. Desse modo, na próxima etapa veremos como são esses países na parte econômica e como eles entraram no século 21 dando uma aula de economia a qualquer nação.

Do outro lado do Atlântico, os três países sul-americanos também tiveram em sua história regimes ditatoriais, mas não tiveram o afastamento do regime capitalista. Entretanto, a falta de planejamento e liberdade nesses países impediam o crescimento sustentável dessas nações. No aspecto econômico, os três países apresentaram altas dívidas públicas, e são mais sucessíveis a crises econômicas e sociais. Apesar disso, com exceção da Argentina nos anos 80, nenhum país passou por uma guerra que destruísse sua nação e nem mesmo a própria Argentina sofreu destruição interna como os países bálticos. Sendo assim, dos três países, o Chile é o único que se destaca no quesito liberdade econômica, já o Brasil e a Argentina vêm “cambaleando” ano após ano.

Deixando um pouco de lado a parte histórica, vamos aos dados: as figuras 1 e 1.1 trazem o primeiro grande dado sobre o comparativo entre os países, o crescimento do PIB. É perceptível que ambos os grupos de países apresentaram crescimentos bastante consideráveis no início do século 21 e os bálticos apresentaram crescimentos maiores devido a dois grandes fatos: a adoção do Euro -que favoreceu os países, pois possuíam moedas fracas- e a política de crescimento adotada, a qual é conhecida como Exported-Led Growth, na qual as exportações levam ao crescimento da nação. Já os países sul-americanos também “surfaram em boas ondas” econômicas, com a ascensão do dragão chinês. Assim como com os bálticos, a exportação se deu por conta desses bons resultados de crescimento. O ponto de virada de ambos os grupos é no pós-crise do subprime, onde é perceptível que os europeus sentiram de imediato a crise, apresentando quedas perto de 15%, enquanto os sul-americanos demoraram para sentir essa crise, contudo, quando a mesma chegou, os acertou em cheio, visto que, com o mundo consumindo menos, os países exportadores de commodities sofreram para se recuperar da grande queda, enquanto os europeus que adotaram o modo de crescer através de exportações, a qual vai muito além de apenas commodities, conseguiram se recuperar e voltar a um crescimento sustentável. Ademais, cabe dizer ainda que a facilidade de fazer negócios em países mais livres ajudou a recuperação mais rápida dos europeus e do Chile.


Figura 1. Fonte: Banco Mundial.

Figura 1.1. Fonte: Banco Mundial.

De forma análoga, é possível analisar o crescimento do PIB per capita. Nota-se, portanto, o crescimento constante dos países bálticos. Nesse sentido, é evidente, após 2001, que os países bálticos apresentaram um crescimento maior que os países sul-americanos, e mesmo no período de crise e nos pós-crise, os bálticos conseguiram continuar seu aumento de renda, enquanto na América do Sul, apenas o Chile conseguiu seguir o exemplo. Como mencionado anteriormente, o Euro facilitou a expansão do PIB per capita, porém, a facilidade de uma economia mais dinâmica e o alto acúmulo de capital contribuíram para que esses países apresentassem maiores rendas, além dos baixos impostos cobrados nesses países.

Figura 2. Fonte: Banco Mundial.

Além do aumento de renda, é possível perceber que as taxas de desemprego (figura 3) dos bálticos no pós-crise se recuperou com uma facilidade impressionante. Isso se dá por conta da facilidade de negócios numa economia mais dinâmica e com baixa burocracia, tal como a dos Bálticos. Em contrapartida, os países latinos apresentaram dificuldades de aumentar suas rendas e reduzir suas taxas de desemprego.

Figura 3. Fonte: Banco Mundial.

Por fim, o último dado que trago é sobre o índice de liberdade econômica, no qual os bálticos se destacam também. Com exceção do Chile, os países bálticos, como tratado no início do artigo, tiveram um choque de liberdade econômica, ao contrário dos sul-americanos.

Figura 4. Fonte: Banco Mundial.

À luz dos argumentos apresentados, fica evidente que o choque de liberdade vivenciado pelos países bálticos favoreceu seu crescimento, bem como o enriquecimento de sua sociedade. Da mesma forma, enquanto a Argentina e o Brasil ficam discutindo medidas protecionistas, o Chile é o país sul-americano que mais se destaca devido ao aumento do índice de liberdade, crescimento sustentável e enriquecimento de sua população. Por fim, os países que passaram boa parte de seu tempo reconstruindo-se, tiveram um regime que negava a riqueza e o lucro, mas hoje são modelos de liberdade e crescimento, apresentando-se melhores economicamente do que os países que não passaram pelas mesmas consequências históricas. Destarte, acredito, pessoalmente, que o Brasil e a Argentina precisam urgentemente de reformas que diminuam as barreiras protecionistas e o controle do estado, deixando sua população mais acessível a criação de negócios. Já a respeito do Chile, penso que é necessário que o país mantenha o ritmo de liberdade e de expansão de sua economia sem a interferência prejudicial do governo (tal como ocorre com seus vizinhos sul-americanos), a fim de manter seu crescimento.

15 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo