Seminário de Pesquisa Ibmec São Paulo: Riscos da Economia Global






Por Lucas Gomes Pochini


No dia 11 de abril de 2019, o professor Robertos Dumas Damas, professor do Ibmec e mestre em Ciências Sociais pela Universidade de Birmingham, deu uma palestra no Seminário de Pesquisa sobre o tema: “Riscos da economia global”. O evento foi sediado IBMEC-São Paulo (Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais), e é o segundo episódio da série de seminários acadêmicos sobre macroeconomia, que se iniciaram com os professores João Ricardo Costa Filho e André Luiz Diz quando foi apresentada os dilemas e discordâncias da política monetária no mês de março.


O tema do seminário traz à tona vários assuntos preocupantes que poderiam afetar o crescimento ou a harmonia entre as economias mundiais. A exemplo disso, a guerra comercial entre EUA e China, a forma que a economia americana assume no governo de Donald Trump, apelidado de “Trumponomics”, a falta de crescimento de diferentes países europeus como França e Itália, o Brexit, e até uma possível recessão prevista por alguns economistas, que analisam o mercado de títulos do governo norte-americano.

A importância do tema se percebe com a frase do professor João Ricardo ao apresentar o seminarista: “O professor Dumas vai contar um pouco sobre o porquê que o mundo vai acabar”.

Foram apresentados a conjuntura dos seguintes personagens: EUA, China, Argentina, Turquia e Zona do Euro.


Os EUA são palco de especulações e projeções econômica, e sua economia um ótimo objeto de estudo, desde a ascensão de Donald Trump ao poder executivo norte-americano, há a política macroeconômica expansionista (Trumponomics). Porém, o FED (Federal Reserve), que é considerado como “o único problema da nossa economia” pelo presidente, acabou variando drasticamente suas políticas econômicas, passando de um ponto de vista mais hawkish, para um mais dovish( “hawk” é águia e “dove” é pomba, essas são duas expressões conhecidas para caracterizar uma política monetária mais leniente com a inflação e outra que considera-a como maior entrave, respectivamente). Dumas se questionou o que teria feito o presidente do FED, Jerome Powell. Segundo ele, a mudança ocorreu pela observação de que a economia americana estava próxima de um decrescimento, e/ou pode ter exagerado no aumento da taxa de juros. Adicionou que os benefícios fiscais de Trump já estão perdendo o efeito que antes tinham no começo do mandato.


Porém, mesmo com mais holofotes apontados para os EUA, não pode ser ignorado o fato de que a China também é um país que tem grande influência quando se discute riscos da economia global. O país recorrente diminuição no crescimento econômico, por conta de políticas internas com o objetivo de melhorar a condição de vida dos chineses, além da atual guerra comercial com os EUA, que tem afetado a economia global. Dumas afirma o explicar as causas da atual guerra comercial atual entre as duas potencias mundiais que “É óbvio que existem empresas chinesas controladas e/ou com alguma participação societária do exército do povo (junção das forças militares da República Popular da China e do Partido Comunista da China, que é o braço direto do PCC(Partido Comunista Chinês), era conhecido por Exército Vermelho), principalmente a Huawei”.


O professor, ao descrever outro personagem no cenário de riscos internacionais, a hermana argentina, disse: “A Argentina, judiação, rest em piece, its over baby. Apresentou o cenário, este no qual as empresas tem dívidas em dólar, dívidas de curto prazo de R$ 52 bi e de reserva nacional antes do FMI de R$ 35 bi, sem falar do déficit em conta corrente de 4,8%, e déficit fiscal de 5,5%. Com o Estado em situação de falência, o governo pediu um empréstimo de R$ 57 bi, porém, junto a uma desvalorização de 50% da moeda local.” Com empresas falindo e bancos com problemas de solvência, os países vizinhos se depara com riscos de crise cambial, corporativa, bancária e da dívida pública. Ao apresentar tal quadro econômico, mostrou como isso pode impactar na economia brasileiro, uma vez que afeta o setor siderúrgico e automobilístico brasileiro, pois 66% das exportações de carros tem como destino final a Argentina.


Quanto a situação do Estado turco e da Europa, a Turquia encontra-se com grandes dívidas com os bancos europeus, o que pode leva-la a recorrer ao FMI para ajudar a manter sua solvência. Um grande entrave a isso é a presença e o poder de veto que os EUA possuem no FMI. Com isso, existe a possibilidade de os EUA vetar o empréstimo do FMI para a Turquia, que faria com que os bancos tomem recursos mais custosos e em outra instituição. Além disso, existe a questão do Brexit, e o fato de a Alemanha estar prestes a entrar em estado de recessão, que só aumenta a probabilidade da União Europeia entrar em uma grave crise.


Após a palestra foi aberto espaço para colocações e perguntas do público, e os convidados não perderam a oportunidade. Surgiram comentários sobre diferentes temas, dentre eles, a previsão da possível desaceleração econômica americana foi destacada, como foi dito por Paul Samuelson, ganhador do prêmio Nobel de economia. Também foi colocado em questão a capacidade de Wall Street, ou seja, as empresas financeiras, de preverem mudanças econômicas como essa. A célebre frase “os indicadores de Wall Street conseguiram prever nove das últimas cinco recessões”.


No seminário a abordagem do professor Roberto Dumas sobre os riscos da economia global foi de maneira que alunos da graduação em economia, administração, direito e relações internacionais compreendessem e identificassem esses riscos. Assim, os considerassem em uma eventual análise de conjuntura e prospecção de cenário.




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