Talvez nem tão Íntimo: o Open Source nas Criptomoedas

Quando ouvimos dizer sobre criptomoedas, é muito provável que pensemos nos maiores exemplos de todos: Bitcoin, Ethereum e até a do cachorrinho fofo e popular japonês, Dogecoin. Em relação a essas e muitas outras mais moedas, já se difundiu muito o saber de seu valor de mercado, bem como a alta volatividade, as intensas flutuações, a função de moeda de troca (embora ainda não aceita universalmente) e a não interferência governamental (pelo menos por ora). Apesar disso, há mais informações inerentes às criptomoedas que podem ser interessantes para aperfeiçoar a tua compreenção sobre elas.

Inicialmente, permita-me explicar o que seria algum software ser “Open Source”: trata-se de qualquer um projeto que possua seu código-fonte aberto, isto é, exposto para ser acessado gratuitamente em algum repositório (e.g. Github e Gitlab) por qualquer um indivíduo. Isso, contudo, contrasta com o método convencional e mainstream inaugurado pelo Bill Gates, que propusera uma precificação à obtenção do código proprietário dos programas, ou seja, baseia-se no consentimento mútuo e no princípio de transferência da posse de propriedade libertariano. Digamos, por exemplo, que eu tenha trabalhado para criar uma mesa, o resultado disso é que ela irá pertencer a mim, logo, se você a quer, poderei transferir a posse dela se e somente se entrarmos em um acordo tangente ao valor do bem.

Respaldarei agora em resposta a alguns questionamentos plausivéis o porquê dessa estratégia ser tão funcional e, na minha opinião, preferencial. Se o código é aberto, a possibilidade de haver algum tipo de exploração de falhas no sistema não seria maior? Não, visto que ter o código disponível a todos permite com que haja uma oferta maior de colaboradores, que possibilitarão soluções mais rápidas e eficientes às empresas, consequentemente, elas poderiam dar recompensas aos cooperadores para manter e estimular tal fenômeno. Ademais, acessar o código traz também maior segurança aos usuários, pois garante e exige a obrigação da transparência.

Ainda em relação aos códigos serem públicos, isso não faria com que outras iniciativas pudessem copiar seu trabalho? Não, haja vista que haveriam de superar o impasse legal dos direitos autorais da respectível empresa. A disponibilização do compilado, além de tudo supracitado, serve como uma oportunidade de apredizado, não limitando a apenas um nicho específico (entenda como elite) da sociedade, portanto, esse conhecimento também se torna livre, o que viabilizaria um projeto de sociedade mais similar do qual fora mencionado por John Rawls, baseado numa ideia de justiça social. Vale ressaltar que isso, entretanto, não seria uma afronta ao liberalismo visto que ainda seria mantida a livre escolha do programador de tornar seu código público ou não.

Por fim, agora referindo diretamente às criptomoedas, como ficaria o quesito privacidade? Bem, não espere um paraíso ao anonimato, afinal, estamos em uma era de forte vigilância, seja como uma estratégia para a Inteligência, seja como um método para aperfeiçoar o marketing através da venda ou compartilhamento de dados pessoais, seja como um instrumento político (leia os livros do George Orwell ou pense como se estivesse por exemplo na China, Coreia do Norte ou Venezuela!), seja como uma forma de entretenimento, tal como é representada pelo Big Brother. Muito embora o que eu tinha dito soe que estaríamos eventualmente fadados à desgraça alheia, monitorados de inúmeras maneiras, não significa que não haja soluções a esses problemas: há criptomoedas especializadas para tal demanda como, por exemplo, Dash, Monero e Zcash, que fazem uso de protocolos de criptografia avançadíssimos, termos de privacidade bem claros e requerem pouca ou nenhuma informação pessoal para funcionar. Não me entenda mal, nem tudo é flores: ser anônimo pode ser benéfico para preservar sua integridade individual, mas também abre uma margem à criminalidade, como corrupção, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, ocultação patrimonial e sonegação fiscal.

Concluo recomendando a todos os leitores deste texto que vejam os artigos de meus colegas*, uma vez que poderão usufruir de uma experência mais completa sobre o assunto, abordando diversas visões diferentes. Outrossim, sem mais enrolação, encerro te perguntando o seguinte: você já conhecia esse outro lado das criptomoedas, esse mundo “Open Source”, mais voltado ao software? Se não, o que você achou? Agradeço a leitura.


* Vamos postar artigos durante o período de, por volta, cinco semanas, aproximadamente, semanalmente sobre Bitcoin e criptomoedas em geral tentando, contudo, desviar do debate mainstream. Para ficar em dia com as postagens, nos siga no Instagram: @ibliberty_oficial.


Referências

Bitcoin — Open source P2P money. Bitcoin.org. Disponível em: <https://bitcoin.org/en/>. Acesso em: 24 de maio de 2021.


What is open source software?. Red Hat. Disponível em: <https://www.redhat.com/en/topics/open-source/what-is-open-source-software>. Acesso em: 24 de maio de 2021.


Dogecoin. Dogecoin. Disponível em: <https://dogecoin.com/>. Acesso em: 25 de maio de 2021.


Ethereum Developer Resources. Ethereum. Disponível em: <https://ethereum.org/en/developers/>. Acesso em: 25 de maio de 2021.


What is open source software? Opensource.com. Disponível em: <https://opensource.com/resources/what-open-source>. Acesso em: 25 de maio de 2021.


O que são criptomoedas de privacidade? Moneytimes. Disponível em: <https://www.moneytimes.com.br/o-que-sao-criptomoedas-de-privacidade/>. Acesso em: 27 de maio de 2021.


Algo que todos que gostam de Open Source deveriam saber 💰. Diolinux. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=FxtCsIIYzU4>. Acesso em: 27 de maio de 2021.


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