World Economic Forum- Brasil 2020

Por Rodrigo Zaher- aluno de economia Ibmec São Paulo


Como já é comum, todo ano em janeiro ocorre em Davos o encontro organizado pelo Fórum Econômico Mundial. O marco inicial de muitas reuniões entre chefes de Estado e economistas sobre questões importantes aos seus países e ao mundo, que ocorreram durante esse ano. Esse ano o Brasil esteve presente, com o intuito de deixar uma imagem melhor do que a do ano passado e atrair mais investimentos, por isso a ida de Paulo Guedes somente com sua equipe econômica (Gustavo Montezano e Marcos Troyjo) chama atenção. Pois dessa vez o Brasil teve como objetivo tratar somente de negócios.

Esse ano o ministro teve como objetivo concentrar seus esforços em mudar a visão da economia brasileira para investidores, tanto estrangeiros quanto brasileiros, já que agora ele pode mostrar que o Brasil está seguindo o seu caminho com o encaminhamento das reformas. Aprofundando as que já começaram no ano passado, abrindo a economia com acordos, concessões e privatizações, além de melhorar o ambiente de negócios dentro do Brasil. Porém houve uma outra questão que teve foco central, o meio ambiente.

A questão ambiental foi tema direto ou indireto em diversos debates em 2019, algo normal já que o assunto se torna cada vez mais importante para o crescimento econômico do mundo inteiro. E como alguns executivos brasileiros presentes no evento falaram, “polêmicas sobre o meio ambiente respingam mais sobre a decisão do investidor internacional em negócios do que as recentes confusões políticas em Brasília’’. Mostrando assim que é uma questão que precisa ser melhor cuidada, uma vez que 2019 não foi o melhor ano para a imagem internacional do Brasil, devido as queimadas na floresta amazônica, já que hoje percebe-se mais que negócios e meio ambiente tendem cada vez mais andar lado a lado. Esse tema esteve presente de alguma maneira em todos os painéis que Guedes participou: Shaping the future of Advanced Manufacturing, Country Strategy dialogue on Brazil, Informal Gathering of World Economic Leaders -Keeping Pace and Finding Resilience in a Global Economy with Rules.

Outro tema que não havia sido muito comentado pelo ministro foi a Indústria. Ele afirmou que o Brasil foi “-deixado para trás’’ na onda de inovação e globalização, também disse que a transição do trabalho “-com as mãos” para o trabalho “-com a mente” vai levar um tempo, mas que o governo está tentando acelerar o processo. De fato, a indústria nacional nunca foi muito forte e recentemente sofreu muito com a crise e ainda não demonstra fortes sinais de recuperação, já que é um setor difícil de ser recuperado (fale duas linhas da desindustrialização que o protecionismo da FIESP trouxe). Assim, sabendo de sua importância para a economia, será criado um centro focado na indústria 4.0, a nova era industrial com foco em tecnologias para automação e troca de dados, filiado ao Fórum em São Paulo em maio. Ele tem como meta estimular a adoção de novas tecnologias e melhorar a inserção do Brasil nas cadeias de valor globais, ampliando a competitividade e a produtividade, segundo comunicado.

No tema de relações internacionais, além de tentar atrair investimentos mostrando como o governo está arrumando as finanças do país após um primeiro ano de reformas e com um segundo ano com mesmo objetivo, Guedes teve um encontro com Sajid David, ministro britânico das finanças. Esse encontro trouxe um resultado que, pelo menos até agora, parece ser promissor. O Reino unido com o Brexit, sairá da União Europeia e assim do possível acordo entre o Mercosul e o bloco europeu, que ainda não foi concluído. Dessa maneira, de acordo com Guedes, os britânicos possuem interesse em firmar um acordo de livre comércio com o Mercosul também, tendo urgência em negociar com o Brasil. Para o secretário de Comércio exterior e Assuntos internacionais, Marcos Troyjo, esse acordo somente com o Reino Unido seria menos complicado porque além de ser somente com um país, o mesmo é um dos mais abertos da Europa, disse ele aos jornalistas. Além desse acordo, Guedes conversou sobre outros possíveis com a Coréia do Sul e com o Canadá.

Terminando sua participação em Davos na quinta-feira, Paulo Guedes retorna para o Brasil de uma maneira totalmente diferente àquela do ano passado. Esse ano sua participação em Davos pode até ser considerada um sucesso, já que ele conseguiu demonstrar que sua agenda liberal para o país está bem mais estruturada do que outros pensavam, mostrando seus planos e até mesmo resultados de algumas de suas ações já do primeiro ano. O Brasil mostrou que ainda atrai interesse de investidores estrangeiros, em um momento em que diversos órgãos apontam que as economias estão começando a desacelerar. O desafio do atual governo é provar que pelo menos o Brasil será diferente do resto do mundo nos próximos anos. Isso pode falhar ou dar certo, cabe ao Brasil, mas em especial à equipe econômica, que demonstrou em Davos que possivelmente de todos os membros do atual governo é o que menos escorrega e o que está mais certo e seguro sobre o que precisa fazer para que o país volte a crescer. Como sendo uma das principais razões pelos votos que Bolsonaro recebeu há dois anos, Guedes mostra que agora as coisas podem talvez de fato mudar.

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